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sábado, 18 de novembro de 2017

Míscaros, tortulhos e outros cogumelos: V evento!


A Mãe-Terra está triste. Não chove (pelo calor até parece que se está no Verão), mas não deixa de ser a altura dos apreciados míscaros e outros cogumelos, por isso,  vai realizar-se já no próximo fim de semana, dias 25 e 26 de Novembro, a quinta edição do Certame Gastronómico do Míscaro no Município de Aguiar da Beira. Não sei quantos anos são necessários para que se considere tradição, mas esta será sem dúvida uma das boas a manter!
Toda a informação pode ser encontrada aqui:
http://www.cm-aguiardabeira.pt/index.php?option=com_k2&view=item&id=369:v-certame-gastron%C3%B3mico-do-m%C3%ADscaro&Itemid=177
"Seja bem-vindo quem vier por bem" é um dizer antigo, não é?
Pois bem...venham então até Aguiar da Beira no próximo fim de semana apanhar (ou só provar) míscaros, tortulhos e outros cogumelos e aprender um pouco mais sobre o tema.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

SANTO PADRE VALDEMIRO

Dizem, quem dele se recorda, um homem alto e bem aparentado. Dócil, puro e recto e que partilhava o pouco que tinha, mesmo no fim da vida.
Um Padre Santo!


Afinal quem foi este homem,  nascido em Ribeiradio, concelho de Oliveira de Frades, última freguesia de Viseu e de seu nome Valdemiro Pereira Coelho?
Ordenado padre em 15 de Agosto de 1944, nomeado prefeito do seminário de Viseu, por ali andou cerca de 2 anos, sendo que depois foi nomeado pároco de Forninhos.
Sei que era sobrinho de um cônego (cargo que antecedia o ser bispo) e lhe daria naquele tempo importância.
Apareceu de bicicleta de roda alta numa terra de nenhures e com a qual ia aviar receitas para quem estava doente. Mais tarde teve uma mota para dar alerta aos médicos por estradas lamacentas e no dia que se seguia e depois da missa dita, ia visitar os doentes.
Por Forninhos que o não esquece, partidos quase vão seis anos, ajudou no restaurar da igreja e de mota foi para os lados de Arganil arranjar telha para o novo telhado da igreja, trazida pelo tio Zé Teodósio.
Passados cerca de 12 nos, abalou de Forninhos e foi para Oliveira do Conde, seguindo-se a Bodiosa aonde celebrou as suas bodas de 50 anos de um caminho duro e bonito da causa que abraçou.
Sei que de Forninhos, apenas faltou quem de todo não podia, na festa mais que meritória, tal como das paróquias vizinhas.
Morreu pobre por querer os pobres menos pobres,  não foi professor em Carregal do Sal, por haver casais sem emprego e declinou os convites.
A sua casa tinha o nome da igualdade e se cobrava, já velhinho uma missa, o resto ia para o monte, como ele dizia: dividam!  O dom da partilha.
Sempre dele ouvi falar, mas nunca o vi, porventura não o procurei por receios de quando nasci pois, fui baptizado por ele (como amizade à família) já corria a madrugada e no outro dia iria a enterrar e sugeriu que partisse com o nome dos meus avós...Francisco e António...
Quem diria que hoje ainda escrevo acerca dele, com carinho e reconhecimento, Santo Padre Valdemiro!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A juventude

Para recordar mais um magusto dos tempos de outrora, deixamos aqui uma fotografia tirada à Juventude no Carvalho da Cruz em Novembro de 1955, que nos chegou pela mão da Sra. Maria José Saraiva (primeira rapariga à nossa direita, da fila da frente). 
Juventude era o nome dado ao grupo de Acção Católica, mais conhecido por JAC, composto pelas jovens mulheres de Forninhos que pelo inicio dos anos 50 pertenciam a este movimento.
A Juventude faz parte do passado, mas olhar para o passado ajuda-nos a compreender o presente


Magusto (Novembro 1955)

Caros leitores, este Blog comemora hoje o seu oitavo aniversário, aproveito a ocasião para manifestar o profundo reconhecimento a todos os que nos têm ajudado a manter vivo este projecto, em especial aos nossos amigos bloguistas pelas boas palavras e às gentes de Forninhos pelas fotografias e visitas.
Para todos vai um abraço de sincera amizade.
Paula Albuquerque
Francisco Almeida 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Medidas medievais


Esta pedra com uma cavidade, está numa casa de pedra construída em forma de juntouros que representa as primeiras casas que deram origem ao povoado de Forninhos. Nesta casa viveu a tia Cleta, mãe da tia Isaura.
Os autores da monografia de Forninhos (página 44), referem que esta pedra rectangular provavelmente terá vindo do Lugar de S. Pedro, onde outrora existiu uma comunidade medieval; mede 127 x 44 cm e o encavo: 81 x 6 cm; é definida como sendo uma "Vara/Medida Padrão de Forninhos" e que devido ao encavo insere-se nas unidades de medida linear. 
Todos sabemos que medidas de pedra serão provavelmente medievais, embora seja difícil identificá-las no tempo ou no local de origem, uma vez que tiveram larga utilização ao longo de séculos. 
E não quero ser do contra, mas as dimensões de comprimento (se bem a mediram) não são de uma vara! 
Segundo o "Dicionário de História de Portugal" a vara correspondia a cerca de 1,10 cm e a medida (da vara) seria em geral invariável. Pode ser meia-vara? Mas a meia-vara tinha de medir 0,55 cm.
Pode tratar-se de outra medida medieval? É capaz.
O côvado, também é uma medida de comprimento usada por diversas civilizações antigas. Media 0,66 cm, mas podia apresentar ligeiras variações locais. Era baseado no cumprimento do antebraço, da ponta do dedo médio até o cotovelo.
Com erros ou sem erros, justificações plausíveis ou não, estes foram os números que chegaram aos nossos dias. Não é preciso inventar nada!
Portanto, creio que esta gravação (se bem a mediram, repito) aproxima-se mais do côvado do que da vara ou até da meia-vara. Côvados há-os de todos os tamanhos e podem variar mais de 20 cm entre si.
Existia também outra medida: a braça, mas esta medida, segundo alguns autores, teria cerca de 184 cm, outros, defendem que seria o dobro da vara, ou seja, mediria 220 cm. A braça tinha também um sbmúltiplo: a meia-braça.
Talvez os leitores do blog saibam mais sobre este assunto e possam dar mais achegas, porque - tirando as medidas da pedra - a descrição que os autores da monografia de Forninhos fazem sobre as medidas-padrão lineares é o que consta na «net» ou seja: as gravações das medidas-padrão aparecem geralmente em locais/edifícios: igrejas, portas de amuralhamentos urbanos medievais ou castelos. Por elas se aferiam as medidas que traziam os comerciantes e feirantes de panos, fitas e linhas. A maior parte destas medidas desenvolveram-se no reinado de D. Dinis...
Esta pedra que está na parede duma casa rural, terá vindo de onde? 
Não creio que terá vindo da igreja de S. Pedro, pois o pequeno templo desmoronou-se mais tarde e só depois é que os de Forninhos trouxeram para a povoação as melhores pedras. O Pe. Luís Lemos no Livro de Penaverde refere que "os de Forninhos, aplicaram a boa pedra da capela na construção do cemitério e reparação da igreja". Ora, é sabido, que isto foi nos anos 40 e 50 do Séc. 20.
Acredito mais que esta pedra pode ter vindo da  Igreja de Forninhos, do templo anterior a 1797, pois já aqui publicamos um documento que sugere que a actual igreja foi construída de raíz. Em vez de na horizontal estaria na vertical e era aqui que o povo ia tirar as medidas; ou, então, terá vindo de alguma muralha do nosso Castelo. 

Medidas medievais de comprimento
O sistema de medidas de comprimento utilizado em Portugal na Idade Média baseava-se no palmo, que correspondia a 22 cm. 
Com referência ao palmo, existiam dois múltiplos principais:
O côvado, por vezes conhecido como alna, correspondia a três palmos;
A vara, que correspondia a cinco palmos.
Cada uma destas medidas tinha um submúltiplo com metade do seu tamanho:
O meio côvado e a meia vara.
A medida da braça não era baseada no palmo. Como acima disse, segundo alguns autores teria cerca de 184 cm. Outros, defendem que mediria 220 cm (o dobro da vara).
A braça tinha também um submúltiplo: a meia braça.

http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/2182.pdf

Já agora não deixe de visualizar o post: "Pesos e Medidas" AQUI Obrigada.

sábado, 28 de outubro de 2017

Recordando os nossos...

Aproxima-se o mês de Novembro, um mês muito espiritual que pela tradição cristã é o tempo em que trazemos à memória os nossos antepassados e ente-queridos que a morte já levou. As pessoas podem andar o resto do ano sem ir ao cemitério, mas nesta altura vão várias vezes até onde repousam aqueles que nos foram próximos. Por estes dias há um pensamento e reflexão mais próximo da realidade da morte. 
Então nunca será demais lembrar com a saudade que lhe é merecida, os (entre tantos) que deixaram a sua marca na História Colectiva de Forninhos, por terem dado o seu melhor e por terem feito maior a nossa terra. São património da nossa aldeia e aqui nunca serão esquecidos.

Olímpia da Conceição Vaz e Antoninho Bernardo
Antoninho Bernardo, conhecido por Toninho do Aníbal (Aníbal Bernardo, era o seu pai) foi Regedor de Forninhos. Ao tempo, o regedor era a autoridade policial da freguesia, era quem dirigia as queixas de roubos, desacatos e  que devia, se fosse caso disso, chamar a GNR do concelho (ou a mais próxima), intervinha em assuntos de partilhas, competia-lhe repor a ordem e harmonia junto da população da freguesia, carimbar e rubricar os passaportes de fim-de-semana dos soldados, etc...
A sua esposa, Olímpia, foi costureira em Forninhos; sabia ler e escrever, por isso, lia e escrevia cartas às pessoas que não sabiam ler. Tinha também talento na arte da representação: era ensaiadora de teatros e contradanças. Faleceu nos anos 80 e eu ainda a conheci, era muito amiga da tia Felisbela.
Agradeço a foto à sua neta Maria José Bernardo.

Alberto Pina e Maria da Anunciação

Conheci, o tio Alberto (Figueiró) e a tia Anunciação e entrei algumas vezes na sua casa, no sítio do Lugar. Eram lavradores, tal como a maioria dos moradores de Forninhos.
O ti Alberto chegou a ir a Tete (Moçambique) conhecer como os filhos viviam o que o deixou muito feliz e confuso com a tez do povo local, pois da aldeia eram todos brancos e ver aquele mundo de terras por cultivar também lhe fez confusão pois na sua região todos os arretos eram aproveitados para cultivar fosse o que fosse. Isto nos dá conta a sua neta Mimi Teixeira do blog: http://mimiteixeira.blogspot.pt/
Lembro-me bem de o ver no lameiro dos Moncões de joelhos, com a seitoura, a ceifar erva fresca para os coelhos.
A tia Anunciação era uma mulher bem simpática que se sentava na soleira da sua porta, onde uma roseira enfeitava a entrada de rosas vermelhas. Contava à pequenada a historieta da Nau Catrineta, um poema de um anónimo, referindo-se a viagens longas para o Brasil ou para o Oriente.
Certamente muitos já não se recordam, mas começava assim: "Lá vem a Nau Catrineta, que tem muito que contar. Ouvide, agora, senhores, Uma história de pasmar...".

Passava mais de ano e dia
que iam na volta do mar.
Já não tinham que comer,
nem tão pouco que manjar.

Já mataram o seu galo,
que tinham para cantar.
Já mataram o seu cão,
que tinham para ladrar.

etc. etc.

Zé Cavaca e Maria Coelha (meus avós paternos)
Da minha avó tenho imensas recordações e do meu avô apesar de não o ter conhecido, faleceu no dia 20 de Novembro de 1973, tenho dele boas memórias pelas palavras que o meu pai me foi contando. O meu avô era um amante da natureza e dos animais.
Eram lavradores fartos à custa de muito trabalho. Um dia a minha avó viu-se impedida de trabalhar porque deslocou uma perna numa nora de tirar água do poço, na Cerca. Contava que foi transportada numa padiola. Aproveitei muito bem a companhia dela, aprendi com ela orações, advinhas, cantigas populares, contos e histórias de vida...
Sempre de luto carregado (nunca o aliviou), ela que sempre teve castanhas -  tiveram um souto num terreno denominado Moradia - no 1.º de Maio oferecia-me sempre uma castanha pilada que eu rilhava como se fosse um rebuçado e assim já podia ouvir o burro ou passar por ele e ficava "vacinada" para todo o ano.
Foi a minha parteira e pelas suas mãos experientes, de muito saber, passaram muitas crianças nascidas em Forninhos ao longo de várias décadas.
A foto foi-me oferecida pela minha madrinha, Natália Cavaca.