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sábado, 21 de dezembro de 2013

BOAS FESTAS




O vídeo é dum coro que dava no dia 25 de manhã na televisão e faz parte do meu imaginário de Natal - o coro de Santo Amaro de Oeiras.
Feliz Natal e Um Ano Novo Bom, com saúde, muita paz e amor.
Agora vou para Forninhos...até 2014.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O Inverno à porta...


Estava feito o sementio dos pães e dos nabais, e cabaneiros e lavradores abalavam para a serra a rapar o codeço e o tojo com que lastrar novamente os estábulos.
Vinha lá o Inverno - ouvia-se zoar muito a ribeira, e a Serra da Estrela mostrava desde a antevéspera os corutos emaçarocados de neve. E a chuva já estava em atraso, o grão por grelar na terra esmilhenta, onde os borborinhos faziam espojadoiros pasmosos de lobisomens. (...)
O sol ficava em casa de Deus, e os dias tinham a tristura das igrejas em semana de endoenças. Pelos morros, os pinhais, muito crestados da canícula, pareciam procissões de enterro, paradas a rezar.
O grande cão entrava sempre assim, enfarinhado de cinzas, manso, com a capa de penitente. Depois rompia aos uivos que nem cem matilhas a um lobo. Por aqueles outeiros arriba era o suão quem mais bramia, parecendo ora vozes a pedir misericórdia, ora bocas desdentadas de feiticeiras em despique danado. (...)
Andavam os pobres a lazarar, de povo em povo, sequinhos como as palhas em que se deitam. (...)
Os seres vivos acoitavam-se nos refolhos; raro uma lebre largava diante dos gados, animando a devesa imóvel de sua fuga alerta; um mocho, ao alto de uma penha, com a cabeça recolhida entre as asas, tinha o ar de quem espera o fim do mundo. (...)
Capucho de burel, apisoado em fráguas, em volta do peitaço, morca farta de torresmos, socos de encoiras altas, o serrano estava-se nas suas sete quintas e deixá-lo zurrar, que se acabasse o mundo.

AQUILINO RIBEIRO, Terras do Demo.

sábado, 14 de dezembro de 2013

É Natal...


É oficial, o Natal está a bater-nos à porta. Por tal, em jeito de Feliz Natal, deixo aqui uma fotografia tirada no Natal de 1970, aquando de uma passagem do meu pai, Samuel, e meu tio António Cavaca pelos "States". A rapariga é a prima Celeste pincha (já falecida).
Esta fotografia já é muito moderna, tendo em conta a árvore de Natal, mas se calhar esta será uma das fotos mais antigas 'ligada' ao Natal dos forninhenses, já que em Forninhos a árvore de Natal só apareceu no fim da década de 70, e só nas casas mais abastadas!! Foi surgindo pouco a pouco ao lado do tradicional presépio que foi (entre nós) durante muito tempo a única decoração de Natal. Contudo, nos dias de hoje, os forninhenses já se renderam aos pinheirinhos e iluminações de Natal.
Também a Igreja tem a sua Árvore de Natal e, como é de tradição, constrói o Presépio de onde sairá o Menino para ser beijado em adoração na missa do dia de Natal.
Para Todos Festas Felizes!!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Linhaça (Linum Usitatissimum)

No 'post' de hoje quero falar-vos da linhaça tão consumida hoje no pão, bolos e flocos de cereais, mas em tempos antigos guardadas religiosamente pelas nossas avós para combater o inchaço, reumatismo, artrose, etc.
Contam as netas de quem mais cultivava e melhor trabalhava o linho que as suas avós costumavam aplicar sementes quentes, no local desejado, de manhã e à noite. Mas afinal, como faziam para aquecer a linhaça? Perguntei. 
Em uma malga/tigela com água quente (preferível a ferver) colocavam 2 ou 3 colheres de sopa de sementes. Depois colocavam esta papa em um lenço ou pano limpo, dobrado para conservar o calor; deixavam arrefecer um pouco e aplicavam o emplastro, com a face aposta às dobras, na cara, no joelho, perna ou pé.


Como gosto muito das coisas que falam como era antigamente a vida em Forninhos, fui pesquisar sobre a semente das nossas avós e fontes de informação (isto dá um ar mais respeitável) dizem que a utilização da semente do linho (Linum Usitatissimum), também conhecida como linhaça, remonta a milhares de anos antes de Cristo (5 mil A.C.)!!!
A linhaça além de combater o inchaço, serve para reduzir o colesterol, diminuir peso, melhora o intestino, regula a pressão arterial, etc. e tal. Tem muitos poderes preventivos e curativos.
Como consumir esta sementinha?
Podem consumi-la de diferentes maneiras. Leiam com atenção e aproveitem para modificarem os vossos hábitos alimentares.
- Sementes de linho moídas com iogurte, sumos, saladas, sopas, misturadas com cereais, massa de pão e bolos e em todos os alimentos;
- Óleo, podem adquirir óleo de linhaça para dar sabor à preparação de vários pratos. Também pode substituir o óleo ou gordura utilizada numa receita. Por exemplo. Se uma receita pedir 1/3 chávena (de chá) de óleo, substitua-a por 1 colher de sopa de linhaça moída. 
- Farinha de linhaça para fazer pão, panados e todos os bolos que deseja para o Natal.

Foto: Cortesia do Contribuidor serip413.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Eu tive um sonho...


A expressão não é minha e o objectivo de Luther King era outro!
Também a imagem que hoje coloco não é de Forninhos. É da sala de vestes ou paramentos litúrgicos de um museu de arte sacra. Há porém em Forninhos material que permite encher um igual espaço com paramentos antigos, objectos litúrgicos, livros, imagens de santos (da igreja e capela), crucifixos, via sacra (quadros), bandeiras, guiões, imagens do presépio, umbela, confessionário, carreta fúnebre, etc., etc., fotografias de momentos desaparecidos, como procissões, andores, etc...
Deixem-me sonhar, que se a Igreja o desejar até tem um espaço: a abandonada casa paroquial, junto à bonita Matriz de Forninhos, que pode vir a ser o local certo onde tudo isto pode vir a "repousar" para ser preservado, observado, admirado e até estudado. 
Guardar, com cuidado e carinho, o que ainda nos resta, é contribuirmos para preservar a memória do nosso povo! 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

Casamentos


Tínhamos há uns tempos dedicado aqui um post às noivas, seus vestidos e acessórios e, assim termos memória de um dia especial e como a noiva se vestiu, nesse tempo.
Chegam-nos novas, neste 'capítulo', e hoje deixamos aqui um casório da década de setenta do século passado, para ver se reconhecem os noivos e os seus convidados, o que terá mudado até agora, o que recordamos dos casamentos de outros tempos...
Olhando para esta fotografia e tempos que lá vão, eu recordo uma tradição bonita e divertida, mas que como tantas outras, só perdura hoje na memória dos forninhenses que têm mais de 40 anos de idade - a tranqueira - uma  fita de seda que impedia o seguimento ou o andamento em ritmo normal dos convidados. 
Depois da cerimónia acabar, no portão e portal da igreja as crianças, principalmente as que não eram convidadas, colocavam a tranqueira e só deixavam passar os convidados depois deles receberem moedas.
Este era um momento entusiástico nos antigos casamentos da nossa terra!