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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Santa Marinha esculpida em granito


Fundada no dia 1 de Outubro de 1926, de acordo com os registos que existem, a Irmandade de Santa Marinha é a associação mais antiga de Forninhos. Já falamos aqui.
Como ontem, 18 de Julho de 2017, foi inaugurada a estátua de Santa Marinha, localizada no adro, do lado esquerdo de quem entra, parabenizo os seus mentores, que creio foram os três membros da Irmandade, pela iniciativa e, por não mandarem o artista Laijinhas colocar este monumento num lugar público, como inúmeras freguesias o têm feito. Os santos são para estar nas igrejas, ou para virem em procissão pelas ruas, não há necessidade de dedicar-lhes monumentos em lugares públicos!
BEM-HAJA Senhores Mordomos que agora terminaram o mandato.

sábado, 15 de julho de 2017

Telhado tradicional


Na aldeia de Forninhos a maior parte dos telhados eram cobertos por esta telha, "canudo, bica, vã, lusa, portuguesa" (não tenho a certeza do nome), pois eles vão sendo cada vez mais raros. Como as casas eram baixinhas e não havia electricidade, para permitir que houvesse mais entrada de luz, colocavam-se algumas telhas de vidro (muito mais caras) entre as telhas de barro.
Dedico, assim, estas poucas linhas a uma reminiscência que já mal se encontra e só deve ter subsistido nalguma casa velha ainda não recuperada.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O Sr. Padre Albano

1917-2017

Certamente todos os párocos tiveram influência na vida religiosa da nossa paróquia - Santa Marinha de Forninhos, mas o Senhor Padre Albano Martins de Sousa, natural da Ranhadinhos, S. Pedro do Sul, pela sua inteligência ou santidade, terá deixado mais vincada a sua passagem pela nossa terra. 
A título de curiosidade foi quem, com o auxílio do povo, nos anos 40 do séc. 20, mandou construir um novo cemitério, dando assim cumprimento à lei que exigia acabar com os enterramentos no adro da igreja, mas sem o povo saber (segundo consta) mandou aumentá-lo. Assim que se soube, toda a gente ficou "contra" o Sr. Padre e à despedida viu bem que não o desculparam por ter tomado a decisão sem ouvir o povo.
Também foi ele que em homenagem aos povos da freguesia de Sezures e Esmolfe, pela sua presença no dia do Espírito Santo, na Senhora dos Verdes, mandou construir o cruzeiro de Nossa Senhora de Fátima e o dos Centenários com a imagem de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.
Podemos dizer que foi este sacerdote o que até ao seu tempo mais obras fez.
Mas também teve, mais dissabores, já que no seu tempo não permitiu durante anos bailes em qualquer dia ou lugar da freguesia, ainda assim todos aqueles que com ele privaram, afirmam que o Padre Albano era um bom e santo padre, um exemplo de bondade e dedicação ao próximo.
Muito mais haveria a dizer sobre o Pe. Albano Martins de Sousa, mas por agora fica o essencial - o resto da descoberta ficará a cargo dos forninhenses.
Bem-haja Senhor Padre Albano!
Forninhos devia-lhe esta homenagem.

domingo, 2 de julho de 2017

Educar à antiga

Dantes no seio da família havia poucos afagos à vista, passar as mãos pela cara das pessoas queridas para acariciar ficava mal...havia amor, mas era um amor seco. O afecto era reflectido no facto dos pais garantirem aos seus filhos, condições de vida melhores ao já herdado dos seus pais (e para isso quantos suores e privações!), estudos...e respeito.
Vale a pena citar Aquilino Ribeiro:

minha família paterna

Eu sou de família em que as donas se assentavam em esteiras. 

Muito amor e poucos afagos. 
Nunca conheci as blandícias e a variadíssima bichinha-gata da ternura civilizada. 
Na aldeia, para acariciar, não passeiam as mãos pela cara das pessoas queridas. 
Semelhante ordem de meiguices são prerrogativas da gente urbanizada.
Para o camponês o rosto é sagrado; tabu; não se lhe toca.
Sempre assim foi, de resto, através das idades...

AQUILINO RIBEIRO (1948)
Cinco Reis de Gente, um livro sobre a memória dos primeiros anos de vida do autor até ao seminário, quando em pequeno, lhe prometeram o lugar como sacristão nas igrejas de Lisboa "...que, por modos eram cargos muito rendosos, pacíficos de todos...sem a mais pequena quebradeira de cabeça...".
Como sabem, o caminho para o seminário foi para muitos pequenos o fim da meninice, o fim da liberdade nas tardes dos dias grandes passadas pelos caminhos à lei da natureza. 
Os padres e a família achavam que podiam traçar um caminho diferente com a ida para o seminário. Se fizermos uma sondagem, quase todos, senão todos, os que foram para o seminário, recordarão que seguiam esse caminho por influência de um padre amigo da família. O meu pai, por exemplo, foi seminarista nesses moldes.

terça-feira, 27 de junho de 2017

As migas de alho

De seitouras em punho, bem firmes,  aos poucos e compassados, o rancho abria caminho pela seara imensa. Havia que aproveitar o fresco da madrugada... 



Iam ao raiar do sol, digamos que de madrugada pois a partir das dez, ninguém aguentaria, nem o gado, a não ser eles nas ceifas habituados; o estômago vinha tratado a preceito com o melhor que a casa tinha ao dispôr, desde a adega, e arca salgadeira, acompanhado pelo pão de ceveira (metade milho, metade centeio, mas ruim de estender...).
E a coisa lá ia indo com o calor a apertar mesmo tão cedo sendo, mas aquelas gargantas soltavam cantigas tão belas em desgarrada, que nem o suor apagava as notas.
Logo iriam aparecer os canastros recheados para a "piqueta", carregados na rodilha sobre a cabeça pela serra acima com o melhor queijo e presunto, sardinha frita, sei lá, tanta coisa acompanhada por sêmeas da tia Esperança (era o pão feito do farelo fininho do trigo que por norma era o da terceira peneira) e depois tudo girava com afoito, pois estas gentes vinham por amizade retribuir os favores de uns e outros.
O momento mais aguardado, além do descanso, era o almoço como se dizia e aqui entram as migas de alho obrigatórias!
Há quem diga que as migas são a parente pobre da açorda, depende da sua riqueza!
O preparo, é basicamente idêntico, partindo da base que é o refogado, a cebola, alho e azeite, mas onde reside o segredo?
No genuíno pão de centeio caseiro...o mesmo que para tal anda este rancho na ceifa.
Partiam o pão centeio duro para um alguidar e ficava com água a amolecer.
Ia o bacalhau a cozer, água da cozedura guardada e este depois desfiado, ia parar ao tacho no refogado com muito alho e o pão pouco aguado e salpicado com salsa.
Quem queria/podia, deitava por cima ovos batidos e deixava ferver um bocadinho, quando não, só a gema, sempre a mexer e deixar pategar (ferver) um bocadinho.
Na falta do bacalhau para quem tal não podia, misturavam o feijão verde cozido da horta e tudo sabia bem...
Tudo servia para o almoço e mais tarde e por costume, para a merenda eram acrescentados os chicharros chícharos cozidos.
Belos tempos estes...

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Tempo de Ceifas


"Pelo São João ceifa-se o pão, o serôdio e o temporão"

domingo, 18 de junho de 2017

Predicados

Na vida social de uma aldeia como Forninhos havia há 50 anos palavras e expressões com um significado que ainda hoje têm o mesmo valor. Exemplo, as palavras "doutor" e "professor". 
Mesmo que não tivessem concluído uma qualquer licenciatura os "doutores e professores" eram boas pessoas, boa gente e isso valia-lhes o respeito da população. Já diz o povo "mais vale cair em graça do que ser engraçada"
Sei que me entendem.
O exemplo do contrário, era judeu ou guinário. De cada vez que se queria dizer que fulano e sicrano era mau, bastava dizer:
- Aquilo é um Judeu!
E estava tudo dito. Pessoa que assim fosse rotulada estava marcada.
Mas para dizer que uma pessoa era mesmo muito má para a mulher e filhos, em geral as grandes vítimas, dizia-se:
- Aquilo é um Rei Herodes!
Se queriam ofender:
- Guinário.
Virá certamente de "sanguinário" e era uma palavra muito usada na minha meninice em Forninhos para designar pessoa que tinha mau íntimo. 


Rei Herodes - Rei da Judeia

Outras palavras muito usadas eram candaugua e corrécio.
A palavra candaugua é formada pelos sons do que devia ser "cão de água" e significa(va) vadio, um corrécio, que gosta muito de vadiar e pouco de trabalhar.
Quando um rapaz vinha tarde para casa ouvia logo essa do candaugua.
- Ah, candaugua, isto é que são horas?
- Seu corrécio!
Mas o que é que este cão algarvio, que segundo se lê na wikipédia até foi muito trabalhador tem a ver com vadiagem?
Não sei. Não encontro a lógica.
Outra:
- Aquilo é que é um valdevino!
Quer dizer também que a pessoa é um vadio, um estroina, que frequentava tabernas...
A palavra monarca também se ouvia como ofensa. Era alguém rude e armado que gostava de mandar, dominar. No feminino significava mulher muito gorda.
Depois vieram os vocábulos introduzidos pela mistura emigrante.
Quem não se lembra daquela célebre mãe a gritar "Michel, tu vas tomber" (Miguel, vais cair) e como o filho caiu: "Ai o filho da p*** que caiu mesmo".
O calão emigrante ouvia-se (e ainda se ouve) nas casas dos primeiros emigrantes regressados. 
Logo chegados de férias, falavam sem cessar das folhas de peia (feuille de paie), que significava o recibo relativo ao salário; dos papiês (papiers), os documentos de legalização como emigrantes; das pubelas (poubelles), os caixotes do lixo. Além dos vocábulos, demos connosco também a saber de cor os departamentos através das matrículas dos carros. O 75 era Paris, 92 ou 94 era dos arredores, 68 Colmar....
Apesar de serem cá apelidados depreciativamente de "avecs", é preciso não esquecer que naquela triste e apagada época dos "senhores doutores" em que, se tanto havia um ou dois em cada aldeia, a emigração trouxe dinheiro e conforto e construiu-se com a vinda dos avecs um linguajar diferente e mais colorido.
Longe vão os tempos em que se inventaram palavras como "guinários".

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Estamos de férias

Nesta altura do ano, fim de Primavera às portas do Verão, ao passar pelos caminhos rurais vê-se com abundância silvas floridas, uma espécie invasora que tantas dores de cabeça dá aos lavradores, mas que têm flores muito belas, donde sairão as amoras silvestres.


Logo à frente vimos um ramalhete de São João (erva-do-caril)


E surpresa...nos pequenos pomares domésticos, 


começam já a surgir amoras de cor vermelha.


Tocados pelo sol, ainda vimos pêssegos do S.João


+ maçãs do S.Tiago que até já apetece trincar...


E depois há a promessa das castanhas, 
pois não tardam a aparecer os pequenos ouriços. 

-/-
Repartimos as férias pelo campo e pela praia, primeiro fomos uma semana para Forninhos. Um dia em casa...e nova viagem.
De amanhã a oito estaremos de volta, desculpem a ausência.

sábado, 27 de maio de 2017

O numeramento de 1527-32 e a origem de Forninhos

Na imagem, retirada das "Memórias Paroquiais" de 1758 Forninhos surge com a grafia que todos conhecemos, mas alguns séculos antes, designadamente no cadastro ou "numeramento" do Reino realizado entre 1527 e 1532, surge como "o lugar de fornos".



primeiro grande recenseamento da população portuguesa foi ordenada por D. João III (cognominado O Piedoso ou O Pio pela sua devoção religiosa) e teve início em 1527, sendo realizado sistematicamente comarca a comarca. Um escrivão percorria pessoalmente as cidades, vilas e concelhos e ouvia, sob juramento, dois homens-bons de cada lugar principal, que numeravam os chefes de família. Deveriam socorrer-se também dos livros das sisas e por fim lavravam um auto.
Este numeramento mostrou que existiam em Portugal 282.708 fogos, ou seja, uma população de pouco mais de um milhão de pessoas (1.120.000 almas). Para nós isto pouco significado tem. O que importa e do que temos certeza é que à data do numeramento, Forninhos era Fornos, encontrava-se incluída no concelho de Penaverde e tinha 22 famílias, o que equivale se calhar a cerca de 70 a 80 habitantes. Mas isto numa época em que as mudanças eram muito mais vagarosas do que hoje, significa que o lugar de fornos já existiria há bastante tempo e existia mesmo!
Lê-se também "Fornos" nas inquirições de 1258 "O concillium de Penaverde abrangia as aldeias de "Fornos et Dornelas er Casalia de Moreyra e Monasterium et Finis de Moreira et Queiriz que sunt aldeole de Penna-Verde" (Reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279).
E vêm-lhe o nome por lá ter havido alguma "fábrica" onde se cozia cerâmica? 
Muito possivelmente.
Refere o Sr. Pe. Luís Lemos no seu Livro que foi encontrada uma protuberância rochosa no declive para as Dornas (quando o fogo de Agosto de 1995 pôs a descoberto muita coisa, mas que não eram penedos), mas grandes blocos informais de cerâmica que pela sua configuração seria ali a "fábrica". 
Ou, questionados onde moravam, as pessoas da "fábrica" responderam simplesmente "nos fornos" acabando por ser entendido como o nome do lugar?



Transcrevemos de forma quase integral o numeramento do concelho de Penaverde transcrito e publicado pelo Pe. Luís Ferreira de Lemos (in Penaverde, sua Vila e Termo):
No comcelho de Pena Verde vivem 178 moradores, comarca de Pinhel, no qual há os lugares e moradores seguintes:
26 no lugar dos Casais que é cabeça do comcelho
26 no lugar de Moreira
30 no lugar de Queyrys
31 na quyntam dos pardieiros
1 na quyntam do vale de pero vaqueiro
3 na quyntam da topetya
2 na quyntam das aveleiras
2 na quyntam da fonte durgeyra
1 na quyntam dos feytais
22 no lugar de fornos
28 no lugar do mosteiro
35 no lugar de dornelos
que todos fazem a soma de 178.

O enumeramento visava também referenciar as delimitações territoriais de cada concelho e "Este  concelho tem de termo em comprimento duas legoas e em largura duas partes e comfromta com a vila de trancoso e com o concelho de carapito e com hos casaes do monte e com a villa daguiar e com o comcelho de gulfar e com o comcelho de penallva e com o comcelho de matança e com o comcelho dalgodres".

Notas minhas
No ano em que o concelho de Penaverde foi visitado pelo escrivão que recolhia dados para o numeramento, as quintas dos Valagotes e de Colherinhas ainda não eram povoadas, pelo menos não são referidas no dito numeramento.
Como e quando o nome original diminuiu para Forninhos?
O topónimo Forninhos só nos aparece escrito da forma actual nos primeiros registos de casamento. Avança a "monografia de Forninhos" os primeiros em 1626. Não estranho muito esta informação, pois no processo de inquisição do soldado Manuel Nunes, nascido em 1632, em Forninhos, é referido que os seus pais (Pedro Gonçalves e Maria Nunes) são naturais e moradores em Forninhos. Já o tínhamos referido aqui.
Mas...
Pelos Tribunais do Santo Ofício passou também um membro do Clero, um cura natural de Fornos de Algodres, mas morador em Santa Marinha de Forninhos, o qual foi acusado (concubinato) em 16 de Abril de 1617 e se livrou do castigo em Dezembro do mesmo ano (clique aqui para ver o documento do Arquivo Nacional da Torre do Tombo). Assim, a derivação Forninhos já surge em documento de 1617
A teoria é de que o diminuitivo surgiu para distinguir o lugar do de Fornos de Algodres, faz sentido. Mas no século XVII e não século XIX, quando por uns poucos meses a freguesia esteve incorporada no concelho D´Algodres.

sábado, 20 de maio de 2017

Lembrar as coisas boas

Um elemento importante na cultura dos povos é a música e as suas cantigas. Sem televisão que não havia, serviam de bálsamo aos corpos cansados de tanta labuta!
Nos ajuntamentos, cada um fala desse tempo e lembra as coisas boas de Forninhos. Do ponto de vista de uns eram as ceifas e malhas, para outros eram as concertinas, para outros ainda, eram os bailaricos ao som do realejo. Sendo assim, hoje recordo um grupo de música popular que nos anos 90 recordava e cantava as nossas cantigas, mas que rapidamente se extinguiu.


Ceifa do pão com os cânticos populares, genuínos da nossa gente...e da malha a mangual feita por grupos de homens muito bem sintonizados; as mulheres limitavam-se a juntar a palha que se afastava com as pancadas fortes dos manguais e juntar os grãos com uma vassoura rasteira, de giesta, é o que esta gente de Forninhos recorda ao recriar a ceifa e malha do pão, na 4.ª Feira Internacional da cidade da Guarda, 1990.



As conversas dos mais velhos ainda hoje giram à volta de histórias dessas épocas, de quando a rapaziada pegava no ti Carlos Melias com a sua concertina acompanhada de ferrinhos e davam a volta ao povo cantando modas que a concertina tocava. Depois vem a inevitável recordação dos sons dos foguetes a estalarem na passagem dos exames da 3.ª e 4.ª classes e também das contradanças e dos bailes no largo da Fonte da Lameira.
- Que tempos bonitos aqueles!
- Bons tempos, belas músicas de concertina, assim lembram com saudade. 
- Que saudades desses momentos de união!
- Hoje a dança é outra!
Comenta quem viveu num ambiente, sem artifícios...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Festa do Divino Espírito Santo

É como imenso prazer e com a certeza de que vai ser uma linda festa que vos dou a conhecer o cartaz da Festa do Divino Espírito Santo:


Da Igreja Matriz rumo ao Santuário de Nossa Senhora dos Verdes:

10h15 - Saída da Procissão de Esmolfe e Sezures
10h30 - Saída da Procissão de Dornelas
10h45 - Saída da Procissão de Forninhos
11h45 - Chegada da Procissão de Penaverde.
12h00 -Missa Campal
13h30 - Almoço (piqueniques)
15h00 - Oração do Terço

Este lugar secular, continua ainda como que por milagre, a trazer as gentes dos povos vizinhos, mesmo em dia de trabalho, como os seus antepassados o faziam. Algo existe para esta devoção e os move...

A não perder a actuação do Grupo Musical "RHP" na noite de domingo, dia 4 de Junho e da "3.ª GERAÇÃO" na tarde de Segunda-Feira do Espírito Santo, dia 5 de Junho.

Que tudo corra a preceito e apareçam ... espero.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

À SENHORA DE FÁTIMA

Quarenta anos atrás e desta forma singular e singela, Forninhos prestou a seu modo o tributo à Rainha de Portugal. Não através de Francisco, Lúcia e Jacinta, mas de Alzira, Quiel e Céu. 


Afinal estes meninos, como que transmitem a mesma paz e esperança que os videntes, num meio rural semelhante. Também eles sabiam o que era a pastorícia e o trabalho do campo, a lavoura.
A nossa pátria está engalanada, esperando sua Santidade num dos mais difíceis dias do mundo, mas de coração aberto o acolhe, tal como a Senhora no milagre do sol, abriu o coração em terras Lusitanas a mais de setenta mil almas, crentes e não crentes e os iluminou.
A nossa aldeia tem um culto muito grande a Nossa Senhora de Fátima e os seus registos são múltiplos, em azulejos, altares e outros memoriais, mas agora e sempre, o mês de Maio será sempre o de Maria, Regina!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

E tudo o tempo levou...



Mais uma equipa do passado em pose clássica que prova que desde muito cedo realizavam encontros de futebol em localidades vizinhas. 
O equipamento era do "Os Belenenses", azul e branco com gola de atilhos; o emblema também era igual ao Clube de Belém. 
Curiosamente quando em 1983 é fundada a Associação Recreativa e Cultural de Forninhos como símbolo adoptam aquele emblema, constituído por um escudo branco, a Cruz de Cristo ao Centro e as iniciais (ARCF)  postas em preto nos quatro espaços brancos. 
Que pena hoje a Associação estar em estado de hibernação e não haver vontade para inverter a situação ou menos para os mais novos valorizarem o passado e porque é de pequenino...

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Nomes de Família

Hoje é assim: "A escolha do nome próprio e dos apelidos do filho menor pertence aos pais; na falta de acordo decidirá o juíz, de harmonia com o interesse do filho" - artigo 1875.º, n.º 2, do Código Civil".
Mas noutros tempos como era?


Forninhos: meu baptismo

Ao que apurei, outra gente se metia nesse assunto, pelo menos os padrinhos de baptismo, o pároco e o delegado da Conservatória do Registo Civil. Por exemplo, o delegado chegava a impor que o filho mais velho levava o primeiro nome próprio do pai. Dou um exemplo bem real da minha família, pela via materna:

Pai
António Rodrigues
Filho mais velho
António Augusto Rodrigues (o nome real do meu avô era António Augusto Rodrigues, mas desde pequeno que era conhecido por "Antoninho Matela").
Mãe
Maria dos Santos

Os filhos por vezes só levavam o apelido do pai e não tinham direito a qualquer apelido por parte da mãe. 

Pela via paterna:
Pai
Eduardo Albuquerque
Mãe 
Teresa de Jesus
Filhos:
António Albuquerque
Maria dos Prazeres (uma pessoa podia receber apenas dois nomes próprios comuns e nenhum nome de família).
José dos Santos Albuquerque
Clementina Albuquerque
Rita Albuquerque
Ilídio Albuquerque

Eu também herdei o "Rodrigues" pela linha materna e o "Albuquerque" pela via paterna, mas gostava de ter herdado o nome de família da minha avó paterna, que já vem desde pelo menos os meus trisavós: "José Dias de Andrade" e "Carolina de Andrade". 
Gosto da combinação "de Andrade Albuquerque", que o meu pai, José Samuel, herdou. Mas o meu pai podia ter-se chamado "José Samuel Coelho Albuquerque" pois "Coelho" era o último apelido  da minha avó Maria, que não aparece no nome de ninguém lá de casa...Neste caso a minha avó Maria, Maria de Andrade Coelho, conhecida por "Maria Coelha" não herdou o Albuquerque do pai "António Coelho de Albuquerque" e note-se que à excepção do tio Zé Carau, todos os seus irmãos tiveram direito ao "Albuquerque". Mas a geração dos meus avós não foi a última "marcada" por estas anomalias. Acho que só a partir da minha geração as coisas entraram mais nos eixos.




Outra disparidade e irregularidade, que podiam bem ter-se evitado, se o tal delegado não se metesse no assunto, é o do registo da data do nascimento. O meu registo é um bom exemplo. O meu documento oficial diz que nasci a 4 de Janeiro, embora tenha nascido a 29 de Dezembro e não foi porque houve atraso no meu registo de nascimento. Contam-me os meus familiares que o Sr. da Conservatória do Registo Civil achou que a menina (eu) devia ficar registada no ano novo e assim foi. Fiquei registada num dia, mês e ano diferentes!
Sempre festejei o meu aniversário a 29 de Dezembro e só uso o nome próprio e o último apelido, que é o Albuquerque que herdei por via paterna, mas o meu avô paterno, José dos Santos Albuquerque, o meu pai e o seus irmãos nunca foram conhecidos pelo apelido Albuquerque, mas sim pelo apelido que a aldeia os rotulou - "Cavaca", sem que eles se importassem com isso. Isto é igual em todas as aldeias...as pessoas são conhecidas pelas alcunhas...
Curioso é que o nome de família do avô e bisavô maternos do meu pai era também Albuquerque.



Nota: as fotos que publicam são do meu baptizado, porque antes do delegado da Conservatória do Registo Civil, eram os padres quem registava os nomes.

terça-feira, 25 de abril de 2017

1974-2017 - 43 Anos de Liberdade

«Um abraço para todos neste dia ESPECIAL.
Sobretudo para todos os que usam a Liberdade com Saber e muita Coragem, com inteligência e Respeito.
Um abraço para todos os que nos últimos 43 anos perceberam que a Liberdade é um bem adquirido e que tem regras, limites e fronteiras. A Liberdade não foi criada para roubar, para ultrajar o outro.O vizinho, o familiar ou o amigo.
O empregado ou a empregada, o assalariado.
O pai, a mãe, o avô ou o filho.
A Liberdade chegou há 43 anos e que para tal acontecesse muitos sofreram nas mãos do Absolutismo e da Ditadura.
Muitos morreram e nem o corpo(s) foi encontrado(s)...
Um abraço Especial para este Espaço que permite que uma Terra e um Povo sejam recordados na sua História e Raízes.
Onde também se contam estórias de arrepiar de pobreza e miséria, muita resistência!!
Pena que o 25 de Abril de HOJE não honre muitas vezes os nossos antepassados e muitos prefiram mandar pedras e esconder as mãos. Daí os muros que todos os dias nascem.
Dai as ameaças bélicas e os navios de guerra a cruzarem os Oceanos.
Para quem não sabe usar a Liberdade o sono de logo à noite vai ser muito pesado.
Para quem respeitou e quis a Liberdade sem sofrimento eis um sono leve que se aproxima.»



O blog dos forninhenses escolheu esta música do Pedro Abrunhosa para acompanhar esta passagem do amigo António Gouveia que dá assim este belo contributo para a nossa etiqueta de "Escritos".

sábado, 8 de abril de 2017

O interior das casas antigas

As pessoas com mais de 50 anos, de certeza que todas se lembram do interior das nossas casas. É óbvio que todos estão agora mesmo à espera que eu fale da típica casa beirã, de altos e baixos, em cantaria, com sótão para arrumos, sacada e balcão exterior e com lojas para animais e para a lenha, despensa para produtos agrícolas, vinho, etc..., no rés-do-chão e alçapão, quando o havia, para abreviar caminho entre um piso e outro. Mas não...não vou falar do interior da casa dos abastados, o texto que vai ler, é sobre a casinha rasteira e encontrei-o no Livro de Penaverde, do Sr. Pe. Luís Ferreira de Lemos.



«A casinha rasteira, geralmente de pequenas dimensões no comprimento e largura, não ultrapassa, talvez não atinja, os três metros de altura. Tem uma só porta, é sem janelas, tem, quando muito; um janêlo, na cozinha, para dar luz e deixar sair o fumo, raramente terá outro que não se abre, ali junto da cama, porque está calafetado de farrapos velhos, e, onde a par de percevejos, se guarda o cordão de ouro e umas escassas moedas. Também pode servir de guarda-jóias e mealheiro um buraco da parede muito bem disfarçado com uma pedra movediça.
Estas casinhas costumam ser de telha vã; e divisões se as há são para separar as gentes dos animais que vivem frontal a meio. Por isso, ao lado da cama ou por baixo dela, quando esta é de bancos, o monte das batatas; junto das paredes a arca do centeio, dos feijões e do bragal, braços de cebolas, alfaias agrícolas, e atrás do banco da lareira, o montículo da lenha. Tem para dizer o ditado "casa em que caibas e terra que não saibas"».
A este encontro foi também o melhor interpretador beirão da vida rural dessa geração, Aquilino Ribeiro sobre a casa beirã escreveu: "A aldeia, mal o sol pula detrás dos montes, esvazia-se para os campos. É lá que estão os tesouros".
Desta vez nem perguntei nada a ninguém, mas  penso que o texto do Pe. Lemos está um pouco exagerado. Aquilo que baila dentro de mim desde a meninice, é que quando se vivia nestas casinhas os animais estavam afastados. 
Eram residências pequenas, é certo, tinham uma salinha, com mesa e armário para guardar o pão e o queijo, por via dos ratos; cozinha, com lareira abaixo do nível do soalho com pilheira, mas sem chaminé; quarto próprio com a cama apoiada em barras de ferro, dividido da sala e cozinha por um taipal de falheira ou tábuas lisas. 
Para arrumar as coisas de mais valor, acho que, havia uma prateleira e a roupa domingueira era dependurada num prego ou numa sovina pregado nas tábuas. 

Dias de limpeza geral
Nas casas, era sagrado, na semana antes da Páscoa, era feita uma limpeza geral. Tudo bem lavado, tudo bem sacudido. Roupas que estavam na arca do bragal eram retiradas e arejadas nessa semana. No tanque ou no ribeiro, a roupa era lavada e posta a corar.  
Na igreja também era tudo lavado, para depois, no sábado de Aleluia, tudo se encher de flores e de vida. Pode ler como era seguindo por aqui.
Espero que passem bem a Páscoa.
Boa Semana Santa para si e sua família.

Foto de Henrique Lopes que também usa Santos Lopes

sábado, 1 de abril de 2017

Em Abril, águas mil...

Saudamos o mês de Abril que hoje começa...


Mês da chuva, de "águas mil...". 
Mas isto não garante que este ano vá chover no mês de Abril, garante que já aconteceu muitas vezes.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Quando atiram pedras aos mortos...

Que os seus se ergam em honra da sua memória!


Nesta foto muito antiga, os meus avós paternos, 
Ana e Francisco e a minha tia Augusta.


Nas fotos recentes, quase tudo continua igual: a janela à nossa direita, era o quarto dos avós, e por detrás do corredor um quarto de visitas.
A outra janela era a da sala, sendo que ao fundo ficava o quarto da tia Augusta.
Descendo uns degraus, a ampla cozinha com forno embutido ao lado da lareira.
A zona de convívio... 


Partiram todos, mas ao lado o marmeleiro dos vizinhos, continua medrado e o portão que guarda a porta da entrada, ainda vigoroso, como que desafiando o tempo e seus fantasmas.


Quantas dornas de cachos se tombaram aqui, nos medos de as vacas se espantarem na portada deste lagar, um dos melhores de Forninhos, e daí vir uma desgraça que nunca felizmente aconteceu, mas sustos não faltaram... era a vida...
Trabalhos que entre estes e tantos, esta casa dos meus avós, muita gente ajudou.
Agora atiram pedras e a casa tem de vir abaixo por ser uma ameaça à saúde pública...!
Quem dera o Forninhos de outrora, sem "cunhas" para interesses pessoais, pois vendo bem, quantas casas na freguesia estão muito piores que esta...tomaram muitos tal ter. Em tempos de barriga cheia, esquecem os tempos de uma malga dada por caridade, mas um apelo à Câmara  de Aguiar da Beira:
Em tempo de eleições, nesta freguesia e todo o município, tenham a coragem de tomarem a mesma metodologia no que concerne e sem preconceitos à obrigação de as casas em menor estado de conservação,  de os potenciais herdeiros arcarem com as responsabilidades, pois as requalificações também constam na Constituição Portuguesa por parte das autarquias.
Tal não sendo, iremos continuar a penar entre dois mundos...um de uns e outros dos outros!

sábado, 25 de março de 2017

Projectos dos nossos dias

Em muitas aldeias do nosso país ouvem-se pessoas que se queixam dos problemas causados pelos projectos de melhoramentos sem harmonizar o passado com o presente, nem o antigo com o moderno. Projectos mal elaborados que poucos melhoramentos trazem às aldeias despovoadas, à região onde foram elaborados e que acabam sempre por enriquecer uns e criar problemas às populações.
Não há aldeia que não se queixe de um ou mais problemas...

Futuro Parque Infantil (um dos...)
Eleições autárquicas 2005 (Projecto do Lugar)
Em Forninhos muita gente se queixa duma rotunda que foi feita há alguns anos. A rotunda do Lugar deve ser uma obra única, pois não creio que no país haja outra igual. Mudaram um fontanário antigo para o meio da rotunda com um poste por trás e com quatro passadeiras a convergirem para o centro. É no mínimo original.
Ah! E uma paragem a que chamamos "gare do oriente", que foi feita só para inglês ver, já que não abriga nem acolhe ninguém!

Eleições autárquicas 2013 (Projecto da Lameira)
Acima do Lugar  encontra-se a Lameira, com postes de electricidade novos e o piso refeito a novo; aqui não há uma rotunda, há um triângulo??? (mal ajardinado), com uma espécie de bancos a circundá-lo. Apesar destes trabalhos, por vezes (e muitas) a quem circula por ali acima tem provocado alguns sustos. 
Começou a obra em Julho/2013, em vésperas de eleições autárquicas; e o que é certo é que os trabalhos ainda estão inacabados, pelo menos o parque infantil que dá uma péssima imagem (vide foto).
Já agora e uma vez que os trabalhos ainda estão em curso (ou deviam estar), como praticamente não há crianças, façam antes um parque sénior e não acabem sem tirar a cobertura da fonte da Lameira também! 
Também foi em 2013 que o projecto "Forninhos, a terra dos nossos avós" viu a luz do dia e quem tem olhos para ver (e ler) vê uma obra muito mal elaborada, cheia de erros, mas claro para os responsáveis desse projecto são apenas falsos erros e tudo está muito bem sem razões para queixas. Um orgulho!

Eleições de 2009
Vem a novela do projecto do Santuário de Nossa Senhora dos Verdes. Um projecto mégalomeno que acabou com uma capela rebocada e um recinto verde cheio de pedra granito. Que alguém explique o que tanta pedra ali faz. 
Outros melhoramentos seriam talvez mais necessários...
Não é do desconhecimento de ninguém também o projecto parque de lazer nos terrenos da Freguesia de Forninhos, no Barreiro, que incluía algumas infraestruturas de lazer e até a possibilidade de uma praia fluvial. O projecto apresentado em 2009 foi aprovado em Assembleia de Freguesia, mas até hoje «nada». Ficou na gaveta, porque não havia dinheiro...!

Eleições de 2001
Projecto "Parque das Merendas". Começado no ano 2000 no "Alto dos Valagotes" o Parque de Merendas "Nossa Senhora de Fátima" é hoje um local de lazer, para crianças, jovens e adultos de qualquer idade. Inserido no meio da natureza tem um miradouro, obstáculos naturais, um parque infantil, telheiro com churrasqueira, Wc, etc...
Ficaria mais completo se fizessem ali um mini campo de futebol, ainda assim dizem que é dos melhores parques das redondezas!?!
Mas a ânsia de querer fazer...leva as pessoas que têm o poder decisão, como são os políticos que ocupam os lugares nas autarquias, a querer mais projectos! 

Eleições de 2017
Este ano é ano de eleições e como não podia deixar de ser surge um novo projecto para Forninhos, que pouco difere do de 1999 e 2013, pois tem previstas iguais estruturas de lazer e apoio às famílias, desde os mais pequenos aos séniores. Inclui um parque infantil (já vamos para o 5,º parque infantil), equipamentos de geriatria, campos de jogos, zona de merendas, telheiro com churrasqueira.
Mas pergunto eu:
Se já há tudo isto, é preciso fazer tudo igual dentro do povoado, porquê, para quê e para quem?
Deve ser promessa eleitoral ou então é porque há dinheiro em abundância, pois se para tal até compraram terrenos a particulares!!, mas se o há de algum lado veio e a concretizar-se tudo (o que eu duvido), não me admirava nada ver lá o que em Forninhos já virou moda, ou seja, uma placa benemérita, porque "Contributos são bem vindos"!

quinta-feira, 23 de março de 2017

QUE SAUDADES DAS MORUGENS...

"Parecem agriões ao microscópio, mas tão saborosos e tenros.
Apenas existem no estado selvagem.
Quando o tempo assume o seu ar primaveril e as aguas cristalinas dos ribeiros, se escoam pelas bordas dos lameiros, parecem ervas daninhas a medrar, mas tão preciosas...
Bem lavadinhas em agua corrente e temperadas, a acompanhar com uns peixinhos do rio Dão e um naco de broa, escoa-se uma pipa de tinto!".

(assim comentei aqui meia dúzia de anos atrás...)


Nós, gentes da aldeia, somos um tolos quando lembrámos uma coisa e ficamos a cismar ,num misto de ternura e vergonha das agruras da vida. Ai se a vida era boa e saudável nesses tempos!! Agora e de quem de tais ainda se lembra "parece mal" dizerem que comeram isto que vos trago, como se fossem miseráveis famintos de outrora...
Nada disso, agora iguarias pagas a peso de ouro, tal como as azedas, baldroegas e agrião selvagem, num mundo "moderno" que lambe a "beiça" regalados pelo que era deitado ao "vivo".
A foto faz-me percorrer caminhos quase do antanho. Traz com ela, o ribeiro dos Moncões, a ribeira de Cabreira e por tantos lugares, os Carregais. Lados em que houvesse água corrente das poças, os regos eram salpicados pelas morugens. Nas Andrôas, as repesas eram fartas em agrião, pequeno de folha, mas o mais saboroso. Bastava arregaçar as calças na água fria apesar do sol e apanhar os mais apetecíveis. Curioso era o silêncio quebrado pelo nosso chapinhar, o salto das rãs e a passarada louca em fazer os ninhos. 
Tempo depois e tratada, a salada era a rainha da mesa, fosse ela de carne ou peixe.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Ali por Março ou Abril...

Nos últimos dias estive a reler umas páginas do livro Penaverde, sua Vila e Termo, do Pe. Luís Ferreira de Lemos e encontrei um trecho que sublinhei 'há muito'...e que hoje trago aqui. Espero que apreciem:
"Ali por Março ou Abril, consoante, começa a faina agrícola. Pouco a pouco, o manto verde que a terra foi cobrindo depois dos 'codos do inverno', agora marchetado de boinas, malmequeres e miríades de flores sem nome, começa a virar-se do avesso, para albergar, no seio criador, as primeiras sementes das batatas temporãs".


Foto de Forninhos, do albúm de memórias de Luís Pires, filho da ti Ilda e ti Zé Cardoso.

quinta-feira, 9 de março de 2017

A festa do pastor na Feira Nova

Trazem as ovelhas mais dotadas para o concurso, engalanadas a preceito, tal como eles ainda carregam nos ombros a antiga manta ou samarra e nas mãos o eterno cajado e a boina ou chapéu enterrados na cabeça...



Faltam apenas três dias para esta festa familiar ser convivida a preceito, longe dos holofotes televisivos, mas no pouco que ainda vai sobrevivendo no seu modo ancestral em que os prémios são simbólicos - tal como as inscrições - mas haverá muito queijo autêntico para quem quiser comprar e convívio, enquanto a barriga e as gargantas puderem, à moda das nossas gentes.
É de facto a festa do pastor, no modo genuíno como aqui se apresentam com os seus rebanhos...
Que seja uma bela Festa!