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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Unidos por Forninhos

As terras do interior, todos sabemos, debatem-se com muitas dificuldades, cada vez mais as pessoas procuram o litoral e ainda o estrangeiro, mas verdade seja dita, nada ou pouco tem sido feito para inverter esta situação. A desertificação do interior condena, desde que não se acomodem. Ninguém está condenado ao insucesso desde que lute com afinco e hajam apoios sérios, que embora transversais, sejam transparentes. Mas claro, os forninhenses não podem esperar algo diferente quando se faz o que sempre se fez. É por isso importante fazer diferente, identificar essas diferenças e potenciá-las. Na diferenciação está a possibilidade de despertar curiosidade e atrair atenções. Acima de tudo, é preciso potenciar Forninhos. Basta mais do mesmo!


Este é o nosso propósito, que no ponto de partida se reclamasse  por um Forninhos Unido  e é por isso que deste modo simples vimos dar a cara lavada pela nossa terra, sem apontamentos maldizentes. O que nos poderão criticar, será apenas a nossa honradez uma palavra esquecida... por outrém. 

Por aqui, bem...
Um ou outro amigo no termo condigno, uns conhecidos ao engano por culpa própria e o "anjo" do costume que onde cola não larga...
Tiro o chapéu a alguns termos, tais como "Juntos" e "Futuro".
Pensava que essas premissas tinham ficado na gaveta há 8 anos. 
"Considero" que gosto do cartaz, tipo a modo empresarial: um vinhateiro, uma empresária e um vendedor de sonhos, o resto e com respeito, enche o painel.
Mas pergunto e por serem responsáveis (presumo), afinal como estão as contas da freguesia, será que amanhã as vão tornar públicas?
Será que amanhã vão esclarecer o povo de Forninhos do porquê de andarem a ser investigados pela PJ?

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Um Forninhos fidalgo


Há ano e meio atrás, soube que Forninhos passou a dispôr de mais uma unidade de alojamento, a "Casa de Campo Fidalgos do Dão", na Quinta de Santa Maria, herdade privada de produção vinícola e frutícola, sob a gerência de Fernando Pires.
Congratulei-me naturalmente, com o facto da nossa terra estar tão apetecível para o turismo, ao ponto de ter agora três Casas: "Casa das Camélias da Beira", "Casa da Fonte da Lameira" e "Casa Fidalgos do Dão", inserida numa quinta com um vinhedo muito bem tratado e de que gosto muito e que pode agora turisticamente promover a vindima e o pisar das uvas.
Lê-se ainda por aí que "podíamos ter outra, que só não está a funcionar por culpa da Câmara". Será verdade? 
Arrefeceu contudo o meu entusiasmo, quando soube que esse novo espaço não tem a menor utilização turística e que a pessoa que a gere sequer reside em Forninhos, mas em Lisboa, deslocando-se de quando em vez a Aguiar da Beira para participar nas Sessões da Assembleia Municipal. Será também verdade?
Sei que a estória do turismo rural já é velha e todos sabemos que pelo país rural inteiro alguns proprietários apenas apostaram neste tipo de turismo para justificarem os fundos públicos que receberam para a construção ou remodelação das casas antigas e solares, porque na prática, algumas apenas foram aproveitadas para sua habitação permanente e nunca receberam hóspedes.
Não sei se a "Casa Fidalgos do Dão" foi ou não construída ou remodelada com dinheiros públicos, ainda assim custa-me a aceitar que nos dias de hoje se aprovem licenças e projectos desta natureza e, depois, quem por lá passa encontra a casa fechada, quando cheia traria receita fiscal ao Estado. Só assim se justificaria mais uma casa de turismo em Forninhos. Ou não?
Há muito que digo que muita gente apareceu endireinhada desde a década de noventa não se sabe como, mas como não existe ninguém para fiscalizar anda tudo por lá ao "Deus dará"...
Dizem que alguns até se serviam dos fundos públicos para comprarem uma "bomba" de 4 rodas.

Foto do exterior retirada daqui:http://www.fidalgosdodao.pt/index.php/casa

sábado, 9 de setembro de 2017

Em 1939 o Porto (Forninhos) era assim


Para sabermos mais um pouco dum local que todos nós conhecemos, deixamos uma foto tirada há muito tempo atrás, por António Marques, ao seu sobrinho Virgilinho, a quem pertence esta magnífica fotografia (Obrigada Sr. Virgílio mais uma vez pela colaboração), onde se pode ver o ainda existente Cruzeiro do Porto, mas adorava ver esta fotografia com maior resolução, porque talvez alguém pudesse identificar os adultos.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vinho, vinho meu...

"Sei bem como se podem mandar amostras para concursos. Às vezes o que lá está dentro não é exatamente igual ao que vai para o mercado"
João Portugal Ramos, Enólogo e produtor de vinhos

1.º concurso de vinhos de Forninhos - 18/07/2010

Sobre a prova de vinhos, naquele dia encontravam-se a conversar na Lameira, o António com o Alberto, mais o Fernando que vive em Lisboa. A determinada altura diz o António:
- Quase não era necessário haver provadores, já todos sabem quem vai ganhar...
- Felizmente que o concurso vale o que vale... Mas se houvesse gente para enfrentar o poder instalado e exigir transparência, outro galo cantaria retorquiu o Fernando.
- Tens razão, diz o  António,  por vezes, é mais fácil estar no nosso cantinho e nada fazer  para mudar as situações.
-Mudar o que está mal, queres tu dizer - retorquiu o Alberto.
- Sim, mas é muito difícil...todos se calam. (silêncio).
Resignados, os três amigos dali abalaram sem mais demoras, pois chover no molhado estragaria a pinga!
Mais à frente, nova paragem, e diz ainda o António para o Alberto:
- Olha lá, achas que o que ganhou outra vez, é de cá?
- Outra vez essa pergunta, responde o Alberto, sabes bem que eles é que percebem da poda. Seja branco ou tinto, está tudo controlado...
Já farto da conversa e a leste destas artimanhas e já com a garganta seca o de Lisboa, o Fernando, quase suplica:
- Afinal, bebemos ou não um bom tinto da terra?
- Nem é tarde, nem é cedo, vamos à minha adega. Dizem ao mesmo tempo os dois.
Foram e demoraram, mas ainda hoje o lisboeta diz que eles mereciam ganhar o prémio de melhor vinho de Forninhos.

sábado, 26 de agosto de 2017

E Forninhos lá no Vale

Tiradas do Alto da Matela antes e depois do fogo de 2013 que devorou parte da floresta de aldeias tão próximas de Forninhos, resolvi publicar neste post duas fotos que retirei do facebook

- de Henrique Lopes

Forninhos lá no vale...ao longe Dornelas e matas e mais matas...

- de Maria José Bernardo

Passados quatro anos...ao longe Dornelas e o queimado...

Nota - Se desejarem que retire as vossas fotos deste post, basta avisarem, mas achei que mereciam ficar no nosso arquivo. Bem-hajam.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Os andores na Festa da Senhora dos Verdes, 2017-AGO-15

Partindo da Igreja Matriz, a ordem é a que segue:

Sagrado Coração de Jesus
 Tem já lugar marcado na abertura da procissão

Nossa Senhora de Fátima
 Uma presença obrigatória
Santa Rita
 Tendo em conta que pertenceu à Capela, sai também nesta dia

São Mártir Sebastião
Uma presença também habitual
Santa Marinha, Padroeira de Forninhos
 também integra esta procissão

Menino Jesus
 Há imagens que têm sempre lugar, é o caso do Menino Jesus

Nossa Senhora dos Verdes
A anfitriã é a última a sair

Através destas 7 fotografias podemos comprovar que houve esmero. Parabéns e um agradecimento à Comissão de Festas 2017/2018. 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

EM HONRA DA SENHORA DOS VERDES

Nossa Senhora dos Verdes
Sois por tantos venerada
Vamos todos ter contigo
Não tarda daqui a nada

E o cartaz tal promete
Vão ser dias de folia
Que todos os anos promete
Entre a fé e alegria

Temos os braços abertos
Para todos receber
E no bailarico entre apertos
Vamos comer e beber


A imagem pode conter: 3 pessoas

sábado, 5 de agosto de 2017

A festa era outra?

Como a festa está quase aí, para os forninhenses repararem/recordarem o que foi durante anos a procissão de Nossa Senhora dos Verdes, o que fomos no passado e o que somos hoje, deixou-vos, umas fotos tiradas no dia 15 de Agosto de 1966, pelo meu primo João Albuquerque:

Havia tanta gente!

Andores de Santa Marinha e de Nossa Senhora dos Verdes 

A cruzada com o andor do Menino Jesus

Na página facebokiana da chaminé, foi legendada uma fotografia que diz "Forninhos - Caminhos da Fé - Procissão do Espírito Santo". Um erro lamentável; todos nós somos livres de publicar e legendar, mas se não respeitarmos a nossa vivência colectiva, estamos a defraudar a nossa história.
De assinalar ainda que apesar da  Festa do Espírito Santo ser uma demonstração de fé, nenhum andor alguma vez fez parte dessa romaria que se faz sempre na sétima Segunda-Feira a contar da Páscoa.
A foto de que falo é esta:


Quem a legendou é de Forninhos, ou é de fora e foi mal informado?

sábado, 29 de julho de 2017

Ainda a tempo

Aconteceu no passado domingo, dia 23, o "dia da freguesia". Pela 1.ª vez este dia de celebração, ocorreu depois do dia 18 de Julho (apetece-me dizer que quando querem até fazem as coisas direito).
Relembrar o que comiam os trabalhadores do campo foi o mote. Destaco, assim, a mesa cheia de acepipes confeccionados pelos locais, porque de tudo o que vi foi do que mais gostei. 






Note-se que o "dia da freguesia" é dia 18 de Julho, foi "instituído" pela Junta de Freguesia há poucos anos e teve a ver com a "Santa Marinha", não teve a ver com os nossos antepassados e sua obra, e devia, mas afinal até o reconhecem, caso contrário, não se valiam do seu trabalho...!

Fotos: XicoAlmeida.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Pedras bulideiras



Não sabemos ao certo se as pedras bulideiras ou baloiçantes (havendo também outras denominações regionais) são um fenómeno natural - esculpidas pela acção da chuva, sol e ventos - ou se por cima desses elementos houve mão humana (escavando-as e limando-as para que baloicem, mas não mudem de lugar). Certo é que tendo ou não tendo o homem contribuído directamente para a sua formação, estão espalhadas um pouco por todo o país. Devem conhecer alguma, pois são relativamente frequentes no norte granítico de Portugal, destacando-se entre elas as de Alijó, Chaves, Macedo de Cavaleiros, Montalegre, Candoso (Vila Flor) e Sezures (esta última bem perto de nós, serve de suporte ao marco geodésico).




Já as "pedras bulideiras" de Forninhos não são conhecidas de ninguém, porque ninguém liga patavina, é pena. Como dizia não sei quem "ninguém explora esta riqueza, com que generosamente a natureza brindou esta linda terra.". "Tudo isto daria bom cartaz, mas já duvido se alguém é capaz...".

Fotos do meu irmão David.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Santa Marinha esculpida em granito


Fundada no dia 1 de Outubro de 1926, de acordo com os registos que existem, a Irmandade de Santa Marinha é a associação mais antiga de Forninhos. Já falamos aqui.
Como ontem, 18 de Julho de 2017, foi inaugurada a estátua de Santa Marinha, localizada no adro, do lado esquerdo de quem entra, parabenizo os seus mentores, que creio foram os três membros da Irmandade, pela iniciativa e, por não mandarem o artista Laijinhas colocar este monumento num lugar público, como inúmeras freguesias o têm feito. Os santos são para estar nas igrejas, ou para virem em procissão pelas ruas, não há necessidade de dedicar-lhes monumentos em lugares públicos!
BEM-HAJA Senhores Mordomos que agora terminaram o mandato.

sábado, 15 de julho de 2017

Telhados


Na aldeia de Forninhos a maior parte dos telhados eram cobertos por esta telha, "canudo, bica, vã, lusa, portuguesa" (não tenho a certeza do nome), pois eles vão sendo cada vez mais raros. Como as casas eram baixinhas e não havia electricidade, para permitir que houvesse mais entrada de luz, colocavam-se algumas telhas de vidro (muito mais caras) entre as telhas de barro.
Dedico, assim, estas poucas linhas a uma reminiscência que já mal se encontra e que só subsiste nalguma casa velha ainda não recuperada.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O Sr. Padre Albano

1917-2017

Certamente todos os párocos tiveram influência na vida religiosa da nossa paróquia - Santa Marinha de Forninhos, mas o Senhor Padre Albano Martins de Sousa, natural da Ranhadinhos, S. Pedro do Sul, pela sua inteligência ou santidade, terá deixado mais vincada a sua passagem pela nossa terra. 
A título de curiosidade foi quem, com o auxílio do povo, nos anos 40 do séc. 20, mandou construir um novo cemitério, dando assim cumprimento à lei que exigia acabar com os enterramentos no adro da igreja, mas sem o povo saber (segundo consta) mandou aumentá-lo. Assim que se soube, toda a gente ficou "contra" o Sr. Padre e à despedida viu bem que não o desculparam por ter tomado a decisão sem ouvir o povo.
Também foi ele que em homenagem aos povos da freguesia de Sezures e Esmolfe, pela sua presença no dia do Espírito Santo, na Senhora dos Verdes, mandou construir o cruzeiro de Nossa Senhora de Fátima e o dos Centenários com a imagem de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.
Podemos dizer que foi este sacerdote o que até ao seu tempo mais obras fez.
Mas também teve, mais dissabores, já que no seu tempo não permitiu durante anos bailes em qualquer dia ou lugar da freguesia, ainda assim todos aqueles que com ele privaram, afirmam que o Padre Albano era um bom e santo padre, um exemplo de bondade e dedicação ao próximo.
Muito mais haveria a dizer sobre o Pe. Albano Martins de Sousa, mas por agora fica o essencial - o resto da descoberta ficará a cargo dos forninhenses.
Bem-haja Senhor Padre Albano!
Forninhos devia-lhe esta homenagem.

domingo, 2 de julho de 2017

Educar à antiga

Dantes no seio da família havia poucos afagos à vista, passar as mãos pela cara das pessoas queridas para acariciar ficava mal...havia amor, mas era um amor seco. O afecto era reflectido no facto dos pais garantirem aos seus filhos, condições de vida melhores ao já herdado dos seus pais (e para isso quantos suores e privações!), estudos...e respeito.
Vale a pena citar Aquilino Ribeiro:

minha família paterna

Eu sou de família em que as donas se assentavam em esteiras. 

Muito amor e poucos afagos. 
Nunca conheci as blandícias e a variadíssima bichinha-gata da ternura civilizada. 
Na aldeia, para acariciar, não passeiam as mãos pela cara das pessoas queridas. 
Semelhante ordem de meiguices são prerrogativas da gente urbanizada.
Para o camponês o rosto é sagrado; tabu; não se lhe toca.
Sempre assim foi, de resto, através das idades...

AQUILINO RIBEIRO (1948)
Cinco Reis de Gente, um livro sobre a memória dos primeiros anos de vida do autor até ao seminário, quando em pequeno, lhe prometeram o lugar como sacristão nas igrejas de Lisboa "...que, por modos eram cargos muito rendosos, pacíficos de todos...sem a mais pequena quebradeira de cabeça...".
Como sabem, o caminho para o seminário foi para muitos pequenos o fim da meninice, o fim da liberdade nas tardes dos dias grandes passadas pelos caminhos à lei da natureza. 
Os padres e a família achavam que podiam traçar um caminho diferente com a ida para o seminário. Se fizermos uma sondagem, quase todos, senão todos, os que foram para o seminário, recordarão que seguiam esse caminho por influência de um padre amigo da família. O meu pai, por exemplo, foi seminarista nesses moldes.

terça-feira, 27 de junho de 2017

As migas de alho

De seitouras em punho, bem firmes,  aos poucos e compassados, o rancho abria caminho pela seara imensa. Havia que aproveitar o fresco da madrugada... 



Iam ao raiar do sol, digamos que de madrugada pois a partir das dez, ninguém aguentaria, nem o gado, a não ser eles nas ceifas habituados; o estômago vinha tratado a preceito com o melhor que a casa tinha ao dispôr, desde a adega, e arca salgadeira, acompanhado pelo pão de ceveira (metade milho, metade centeio, mas ruim de estender...).
E a coisa lá ia indo com o calor a apertar mesmo tão cedo sendo, mas aquelas gargantas soltavam cantigas tão belas em desgarrada, que nem o suor apagava as notas.
Logo iriam aparecer os canastros recheados para a "piqueta", carregados na rodilha sobre a cabeça pela serra acima com o melhor queijo e presunto, sardinha frita, sei lá, tanta coisa acompanhada por sêmeas da tia Esperança (era o pão feito do farelo fininho do trigo que por norma era o da terceira peneira) e depois tudo girava com afoito, pois estas gentes vinham por amizade retribuir os favores de uns e outros.
O momento mais aguardado, além do descanso, era o almoço como se dizia e aqui entram as migas de alho obrigatórias!
Há quem diga que as migas são a parente pobre da açorda, depende da sua riqueza!
O preparo, é basicamente idêntico, partindo da base que é o refogado, a cebola, alho e azeite, mas onde reside o segredo?
No genuíno pão de centeio caseiro...o mesmo que para tal anda este rancho na ceifa.
Partiam o pão centeio duro para um alguidar e ficava com água a amolecer.
Ia o bacalhau a cozer, água da cozedura guardada e este depois desfiado, ia parar ao tacho no refogado com muito alho e o pão pouco aguado e salpicado com salsa.
Quem queria/podia, deitava por cima ovos batidos e deixava ferver um bocadinho, quando não, só a gema, sempre a mexer e deixar pategar (ferver) um bocadinho.
Na falta do bacalhau para quem tal não podia, misturavam o feijão verde cozido da horta e tudo sabia bem...
Tudo servia para o almoço e mais tarde e por costume, para a merenda eram acrescentados os chicharros chícharos cozidos.
Belos tempos estes...

domingo, 18 de junho de 2017

Predicados

Na vida social de uma aldeia como Forninhos havia há 50 anos palavras e expressões com um significado que ainda hoje têm o mesmo valor. Exemplo, as palavras "doutor" e "professor". 
Mesmo que não tivessem concluído uma qualquer licenciatura os "doutores e professores" eram boas pessoas, boa gente e isso valia-lhes o respeito da população. Já diz o povo "mais vale cair em graça do que ser engraçada"
Sei que me entendem.
O exemplo do contrário, era judeu ou guinário. De cada vez que se queria dizer que fulano e sicrano era mau, bastava dizer:
- Aquilo é um Judeu!
E estava tudo dito. Pessoa que assim fosse rotulada estava marcada.
Mas para dizer que uma pessoa era mesmo muito má para a mulher e filhos, em geral as grandes vítimas, dizia-se:
- Aquilo é um Rei Herodes!
Se queriam ofender:
- Guinário.
Virá certamente de "sanguinário" e era uma palavra muito usada na minha meninice em Forninhos para designar pessoa que tinha mau íntimo. 


Rei Herodes - Rei da Judeia

Outras palavras muito usadas eram candaugua e corrécio.
A palavra candaugua é formada pelos sons do que devia ser "cão de água" e significa(va) vadio, um corrécio, que gosta muito de vadiar e pouco de trabalhar.
Quando um rapaz vinha tarde para casa ouvia logo essa do candaugua.
- Ah, candaugua, isto é que são horas?
- Seu corrécio!
Mas o que é que este cão algarvio, que segundo se lê na wikipédia até foi muito trabalhador tem a ver com vadiagem?
Não sei. Não encontro a lógica.
Outra:
- Aquilo é que é um valdevino!
Quer dizer também que a pessoa é um vadio, um estroina, que frequentava tabernas...
A palavra monarca também se ouvia como ofensa. Era alguém rude e armado que gostava de mandar, dominar. No feminino significava mulher muito gorda.
Depois vieram os vocábulos introduzidos pela mistura emigrante.
Quem não se lembra daquela célebre mãe a gritar "Michel, tu vas tomber" (Miguel, vais cair) e como o filho caiu: "Ai o filho da p*** que caiu mesmo".
O calão emigrante ouvia-se (e ainda se ouve) nas casas dos primeiros emigrantes regressados. 
Logo chegados de férias, falavam sem cessar das folhas de peia (feuille de paie), que significava o recibo relativo ao salário; dos papiês (papiers), os documentos de legalização como emigrantes; das pubelas (poubelles), os caixotes do lixo. Além dos vocábulos, demos connosco também a saber de cor os departamentos através das matrículas dos carros. O 75 era Paris, 92 ou 94 era dos arredores, 68 Colmar....
Apesar de serem cá apelidados depreciativamente de "avecs", é preciso não esquecer que naquela triste e apagada época dos "senhores doutores" em que, se tanto havia um ou dois em cada aldeia, a emigração trouxe dinheiro e conforto e construiu-se com a vinda dos avecs um linguajar diferente e mais colorido.
Longe vão os tempos em que se inventaram palavras como "guinários".

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Estamos de férias

Nesta altura do ano, fim de Primavera às portas do Verão, ao passar pelos caminhos rurais vê-se com abundância silvas floridas, uma espécie invasora que tantas dores de cabeça dá aos lavradores, mas que têm flores muito belas, donde sairão as amoras silvestres.


Logo à frente vimos um ramalhete de São João (erva-do-caril)


E surpresa...nos pequenos pomares domésticos, 


começam já a surgir amoras de cor vermelha.


Tocados pelo sol, ainda vimos pêssegos do S.João


+ maçãs do S.Tiago que até já apetece trincar...


E depois há a promessa das castanhas, 
pois não tardam a aparecer os pequenos ouriços. 

-/-
Repartimos as férias pelo campo e pela praia, primeiro fomos uma semana para Forninhos. Um dia em casa...e nova viagem.
De amanhã a oito estaremos de volta, desculpem a ausência.

sábado, 27 de maio de 2017

O numeramento de 1527-32 e a origem de Forninhos

Na imagem, retirada das "Memórias Paroquiais" de 1758 Forninhos surge com a grafia que todos conhecemos, mas alguns séculos antes, designadamente no cadastro ou "numeramento" do Reino realizado entre 1527 e 1532, surge como "o lugar de fornos".



primeiro grande recenseamento da população portuguesa foi ordenada por D. João III (cognominado O Piedoso ou O Pio pela sua devoção religiosa) e teve início em 1527, sendo realizado sistematicamente comarca a comarca. Um escrivão percorria pessoalmente as cidades, vilas e concelhos e ouvia, sob juramento, dois homens-bons de cada lugar principal, que numeravam os chefes de família. Deveriam socorrer-se também dos livros das sisas e por fim lavravam um auto.
Este numeramento mostrou que existiam em Portugal 282.708 fogos, ou seja, uma população de pouco mais de um milhão de pessoas (1.120.000 almas). Para nós isto pouco significado tem. O que importa e do que temos certeza é que à data do numeramento, Forninhos era Fornos, encontrava-se incluída no concelho de Penaverde e tinha 22 famílias, o que equivale se calhar a cerca de 70 a 80 habitantes. Mas isto numa época em que as mudanças eram muito mais vagarosas do que hoje, significa que o lugar de fornos já existiria há bastante tempo e existia mesmo!
Lê-se também "Fornos" nas inquirições de 1258 "O concillium de Penaverde abrangia as aldeias de "Fornos et Dornelas er Casalia de Moreyra e Monasterium et Finis de Moreira et Queiriz que sunt aldeole de Penna-Verde" (Reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279).
E vêm-lhe o nome por lá ter havido alguma "fábrica" onde se cozia cerâmica? 
Muito possivelmente.
Refere o Sr. Pe. Luís Lemos no seu Livro que foi encontrada uma protuberância rochosa no declive para as Dornas (quando o fogo de Agosto de 1995 pôs a descoberto muita coisa, mas que não eram penedos), mas grandes blocos informais de cerâmica que pela sua configuração seria ali a "fábrica". 
Ou, questionados onde moravam, as pessoas da "fábrica" responderam simplesmente "nos fornos" acabando por ser entendido como o nome do lugar?



Transcrevemos de forma quase integral o numeramento do concelho de Penaverde transcrito e publicado pelo Pe. Luís Ferreira de Lemos (in Penaverde, sua Vila e Termo):
No comcelho de Pena Verde vivem 178 moradores, comarca de Pinhel, no qual há os lugares e moradores seguintes:
26 no lugar dos Casais que é cabeça do comcelho
26 no lugar de Moreira
30 no lugar de Queyrys
31 na quyntam dos pardieiros
1 na quyntam do vale de pero vaqueiro
3 na quyntam da topetya
2 na quyntam das aveleiras
2 na quyntam da fonte durgeyra
1 na quyntam dos feytais
22 no lugar de fornos
28 no lugar do mosteiro
35 no lugar de dornelos
que todos fazem a soma de 178.

O enumeramento visava também referenciar as delimitações territoriais de cada concelho e "Este  concelho tem de termo em comprimento duas legoas e em largura duas partes e comfromta com a vila de trancoso e com o concelho de carapito e com hos casaes do monte e com a villa daguiar e com o comcelho de gulfar e com o comcelho de penallva e com o comcelho de matança e com o comcelho dalgodres".

Notas minhas
No ano em que o concelho de Penaverde foi visitado pelo escrivão que recolhia dados para o numeramento, as quintas dos Valagotes e de Colherinhas ainda não eram povoadas, pelo menos não são referidas no dito numeramento.
Como e quando o nome original diminuiu para Forninhos?
O topónimo Forninhos só nos aparece escrito da forma actual nos primeiros registos de casamento. Avança a "monografia de Forninhos" os primeiros em 1626. Não estranho muito esta informação, pois no processo de inquisição do soldado Manuel Nunes, nascido em 1632, em Forninhos, é referido que os seus pais (Pedro Gonçalves e Maria Nunes) são naturais e moradores em Forninhos. Já o tínhamos referido aqui.
Mas...
Pelos Tribunais do Santo Ofício passou também um membro do Clero, um cura natural de Fornos de Algodres, mas morador em Santa Marinha de Forninhos, o qual foi acusado (concubinato) em 16 de Abril de 1617 e se livrou do castigo em Dezembro do mesmo ano (clique aqui para ver o documento do Arquivo Nacional da Torre do Tombo). Assim, a derivação Forninhos já surge em documento de 1617
A teoria é de que o diminuitivo surgiu para distinguir o lugar do de Fornos de Algodres, faz sentido. Mas no século XVII e não século XIX, quando por uns poucos meses a freguesia esteve incorporada no concelho D´Algodres.

sábado, 20 de maio de 2017

Lembrar as coisas boas

Um elemento importante na cultura dos povos é a música e as suas cantigas. Sem televisão que não havia, serviam de bálsamo aos corpos cansados de tanta labuta!
Nos ajuntamentos, cada um fala desse tempo e lembra as coisas boas de Forninhos. Do ponto de vista de uns eram as ceifas e malhas, para outros eram as concertinas, para outros ainda, eram os bailaricos ao som do realejo. Sendo assim, hoje recordo um grupo de música popular que nos anos 90 recordava e cantava as nossas cantigas, mas que rapidamente se extinguiu.


Ceifa do pão com os cânticos populares, genuínos da nossa gente...e da malha a mangual feita por grupos de homens muito bem sintonizados; as mulheres limitavam-se a juntar a palha que se afastava com as pancadas fortes dos manguais e juntar os grãos com uma vassoura rasteira, de giesta, é o que esta gente de Forninhos recorda ao recriar a ceifa e malha do pão, na 4.ª Feira Internacional da cidade da Guarda, 1990.



As conversas dos mais velhos ainda hoje giram à volta de histórias dessas épocas, de quando a rapaziada pegava no ti Carlos Melias com a sua concertina acompanhada de ferrinhos e davam a volta ao povo cantando modas que a concertina tocava. Depois vem a inevitável recordação dos sons dos foguetes a estalarem na passagem dos exames da 3.ª e 4.ª classes e também das contradanças e dos bailes no largo da Fonte da Lameira.
- Que tempos bonitos aqueles!
- Bons tempos, belas músicas de concertina, assim lembram com saudade. 
- Que saudades desses momentos de união!
- Hoje a dança é outra!
Comenta quem viveu num ambiente, sem artifícios...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Festa do Divino Espírito Santo

É como imenso prazer e com a certeza de que vai ser uma linda festa que vos dou a conhecer o cartaz da Festa do Divino Espírito Santo:


Da Igreja Matriz rumo ao Santuário de Nossa Senhora dos Verdes:

10h15 - Saída da Procissão de Esmolfe e Sezures
10h30 - Saída da Procissão de Dornelas
10h45 - Saída da Procissão de Forninhos
11h45 - Chegada da Procissão de Penaverde.
12h00 -Missa Campal
13h30 - Almoço (piqueniques)
15h00 - Oração do Terço

Este lugar secular, continua ainda como que por milagre, a trazer as gentes dos povos vizinhos, mesmo em dia de trabalho, como os seus antepassados o faziam. Algo existe para esta devoção e os move...

A não perder a actuação do Grupo Musical "RHP" na noite de domingo, dia 4 de Junho e da "3.ª GERAÇÃO" na tarde de Segunda-Feira do Espírito Santo, dia 5 de Junho.

Que tudo corra a preceito e apareçam ... espero.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

À SENHORA DE FÁTIMA

Quarenta anos atrás e desta forma singular e singela, Forninhos prestou a seu modo o tributo à Rainha de Portugal. Não através de Francisco, Lúcia e Jacinta, mas de Alzira, Quiel e Céu. 


Afinal estes meninos, como que transmitem a mesma paz e esperança que os videntes, num meio rural semelhante. Também eles sabiam o que era a pastorícia e o trabalho do campo, a lavoura.
A nossa pátria está engalanada, esperando sua Santidade num dos mais difíceis dias do mundo, mas de coração aberto o acolhe, tal como a Senhora no milagre do sol, abriu o coração em terras Lusitanas a mais de setenta mil almas, crentes e não crentes e os iluminou.
A nossa aldeia tem um culto muito grande a Nossa Senhora de Fátima e os seus registos são múltiplos, em azulejos, altares e outros memoriais, mas agora e sempre, o mês de Maio será sempre o de Maria, Regina!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

E tudo o tempo levou...



Mais uma equipa do passado em pose clássica que prova que desde muito cedo realizavam encontros de futebol em localidades vizinhas. 
O equipamento era do "Os Belenenses", azul e branco com gola de atilhos; o emblema também era igual ao Clube de Belém. 
Curiosamente quando em 1983 é fundada a Associação Recreativa e Cultural de Forninhos como símbolo adoptam aquele emblema, constituído por um escudo branco, a Cruz de Cristo ao Centro e as iniciais (ARCF)  postas em preto nos quatro espaços brancos. 
Que pena hoje a Associação estar em estado de hibernação e não haver vontade para inverter a situação ou menos para os mais novos valorizarem o passado e porque é de pequenino...

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Nomes de Família

Hoje é assim: "A escolha do nome próprio e dos apelidos do filho menor pertence aos pais; na falta de acordo decidirá o juíz, de harmonia com o interesse do filho" - artigo 1875.º, n.º 2, do Código Civil".
Mas noutros tempos como era?


Forninhos: meu baptismo

Ao que apurei, outra gente se metia nesse assunto, pelo menos os padrinhos de baptismo, o pároco e o delegado da Conservatória do Registo Civil. Por exemplo, o delegado chegava a impor que o filho mais velho levava o primeiro nome próprio do pai. Dou um exemplo bem real da minha família, pela via materna:

Pai
António Rodrigues
Filho mais velho
António Augusto Rodrigues (o nome real do meu avô era António Augusto Rodrigues, mas desde pequeno que era conhecido por "Antoninho Matela").
Mãe
Maria dos Santos

Os filhos por vezes só levavam o apelido do pai e não tinham direito a qualquer apelido por parte da mãe. 

Pela via paterna:
Pai
Eduardo Albuquerque
Mãe 
Teresa de Jesus
Filhos:
António Albuquerque
Maria dos Prazeres (uma pessoa podia receber apenas dois nomes próprios comuns e nenhum nome de família).
José dos Santos Albuquerque
Clementina Albuquerque
Rita Albuquerque
Ilídio Albuquerque

Eu também herdei o "Rodrigues" pela linha materna e o "Albuquerque" pela via paterna, mas gostava de ter herdado o nome de família da minha avó paterna, que já vem desde pelo menos os meus trisavós: "José Dias de Andrade" e "Carolina de Andrade". 
Gosto da combinação "de Andrade Albuquerque", que o meu pai, José Samuel, herdou. Mas o meu pai podia ter-se chamado "José Samuel Coelho Albuquerque" pois "Coelho" era o último apelido  da minha avó Maria, que não aparece no nome de ninguém lá de casa...Neste caso a minha avó Maria, Maria de Andrade Coelho, conhecida por "Maria Coelha" não herdou o Albuquerque do pai "António Coelho de Albuquerque" e note-se que à excepção do tio Zé Carau, todos os seus irmãos tiveram direito ao "Albuquerque". Mas a geração dos meus avós não foi a última "marcada" por estas anomalias. Acho que só a partir da minha geração as coisas entraram mais nos eixos.




Outra disparidade e irregularidade, que podiam bem ter-se evitado, se o tal delegado não se metesse no assunto, é o do registo da data do nascimento. O meu registo é um bom exemplo. O meu documento oficial diz que nasci a 4 de Janeiro, embora tenha nascido a 29 de Dezembro e não foi porque houve atraso no meu registo de nascimento. Contam-me os meus familiares que o Sr. da Conservatória do Registo Civil achou que a menina (eu) devia ficar registada no ano novo e assim foi. Fiquei registada num dia, mês e ano diferentes!
Sempre festejei o meu aniversário a 29 de Dezembro e só uso o nome próprio e o último apelido, que é o Albuquerque que herdei por via paterna, mas o meu avô paterno, José dos Santos Albuquerque, o meu pai e o seus irmãos nunca foram conhecidos pelo apelido Albuquerque, mas sim pelo apelido que a aldeia os rotulou - "Cavaca", sem que eles se importassem com isso. Isto é igual em todas as aldeias...as pessoas são conhecidas pelas alcunhas...
Curioso é que o nome de família do avô e bisavô maternos do meu pai era também Albuquerque.



Nota: as fotos que publicam são do meu baptizado, porque antes do delegado da Conservatória do Registo Civil, eram os padres quem registava os nomes.